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5 dicas para escrever uma Cena

Foto do escritor: nucleocriativoipnucleocriativoip

Baseado em um famoso texto do roteirista John August, trazemos algumas dicas pontuais para ajudar na hora de “abrir o roteiro”, isto é, escrever efetivamente as cenas de sua história!


1. Defina o objetivo da cena


Um dos principais objetivos do roteiro é guiar a realização da obra, poupando custos com a filmagem de cenas desnecessárias. Por isso, é importante entender o objetivo de cada cena. Seja fazer a trama avançar ou apresentar uma característica importante de um personagem, cada cena precisa ter um propósito claro.


Você pode fazer um beat sheet ou uma escaleta para te auxiliar neste processo, a elaboração desses documentos, aliás, é um dos passos recomendados antes de entrar propriamente na escrita do roteiro. O beat sheet e a escaleta irão te auxiliar a percorrer o caminho da história, porém, sempre há muitas descobertas que são feitas no processo da escrita e, nesse momento, é importante definir qual é o papel das “novas cenas” na história.


Responder perguntas simples como “O que deve acontecer nessa cena?”, “Qual a função dela na história?” e “O que aconteceria caso ela fosse cortada?” podem ajudar na definição do que é o principal a ser narrado.


Uma observação importante quanto à última pergunta: cabe refletir que, se a história não tiver nenhuma alteração significativa com a exclusão de determinada cena, talvez ela deva ser suprimida do roteiro.


2. Defina Quem e Onde


Isto é: quais personagens devem estar na cena e em qual lugar ela ocorre.


A escolha dos personagens pode parecer um tanto óbvia, mas é um desdobramento importante da dica 1: certifique-se de que todos os personagens envolvidos em determinada cena tenham um motivo para estar ali. O motivo pode ser o mais variado possível, pode depender do seu objetivo ou do andamento da história, por exemplo, porém é importante ter consciência de que nenhum personagem deve estar ali sem necessidade. Caso a cena possa atingir um efeito mais interessante com mais ou menos personagens, não hesite em alterá-la.


Mesmo com uma escaleta bem estruturada, é fundamental explorar as suas possibilidades narrativas, descobrir novos desdobramentos, durante a escrita do roteiro.


O mesmo vale para as locações - o lugar em que a cena ocorre. É sempre bom levar em conta o eventual contexto de produção antes de definir o local da cena, quer dizer, se você está escrevendo um curta metragem de baixo orçamento no Brasil é bastante improvável que consiga filmar, por exemplo, uma cena em frente às Pirâmides do Egito. No entanto, explore suas alternativas antes de definir de saída que a cena ocorre na “SALA DA CASA DE FULANO”. O local é um elemento importante para a ação, capaz de criar interações para os personagens, afetar seu comportamento, além de ser determinante para o clima visual da obra, portanto, reflita sobre o objetivo da cena e o efeito que ela deve atingir para estabelecer a melhor locação possível.


3. Defina o início e o fim


Agora que você já sabe o objetivo da cena, quem está presente nela e onde ela se passa, é hora de definir a forma como a ação transcorre. Qual a primeira informação da cena? Um detalhe? Uma fala? Um plano de estabelecimento? Há muitas maneiras de começar uma cena, não há uma única forma certa. Como tudo que envolve uma criação artística, depende de muitos fatores.


Vamos destacar um fator determinante: caso não seja a cena de abertura, é importante considerar como a cena anterior terminou. O ritmo é fundamental nas narrativas audiovisuais. Como roteirista, é seu papel definir os momentos de acelerar ou pausar a história, criando conexões entre as cenas para estabelecer um todo coerente. Obviamente, não há uma receita pronta para isso, depende, como sempre, dos seus objetivos. A dica aqui é pensar em diferentes maneiras através das quais a cena poderia começar. Faça testes, escreva uma lista de opções e, a partir delas, análise quais desdobramentos são mais interessantes e quais estabelecem o ritmo desejado para a história – considerando a cena anterior.


Uma dica clássica quanto a duração das cenas, seus começos e fins, sugere que é preciso “entrar na cena no último instante possível e sair dela o quanto antes”. Interpretada literalmente, essa dica pode parecer mais adequada a narrativas “clássicas”, pautadas exclusivamente na ação, no plot. Mas a fórmula é genérica o suficiente para ser utilizada por diferentes estilos narrativos. O essencial é ter a consciência do que é importante na cena e do que é supérfluo, se o efeito que você busca é melhor transmitido por uma cena sem falas de três páginas ou se com apenas uma linha de diálogo e uma reação considera que atingiu o seu objetivo, só você pode definir.


4. Visualize a cena e faça um resumo


Você pode ter adiantado boa parte dessa etapa se escreveu uma escaleta detalhada, porém este documento é diferente do roteiro. O “fluxo de criatividade” ao escrever cada cena pode induzir uma melhor visualização dos detalhes e da dinâmica de cada ação, a entonação e reação dos personagens, o ritmo das rubricas etc. Por isso, antes de efetivamente escrever cada passo da cena, tente visualizá-la em sua cabeça, como se estivesse assistindo ao filme finalizado. Ao imaginar a cena, tente reparar em como a ação se desenrola, no que é fundamental. Nesse processo, pode ser útil anotar os elementos chave, as linhas de diálogo, um detalhe a ser destacado, tudo que lhe parecer um ponto crucial da estrutura da cena.


Faça um resumo de como você visualiza a cena: imagine a ação e anote o principal.


5. Escreve & Reescreva


Com todos os principais elementos definidos e com uma imagem da cena em sua cabeça, só resta escrevê-la. Nessa etapa, novas ideias podem surgir, não as descarte, se não estiver certo sobre elas, ou se chegarem em um beco sem saída, tudo bem – por isso você já tem anotado o “plano principal”. Explore as possibilidades que aparecerem, escreva a cena do zero e depois a revise. A revisão é a etapa fundamental para qualquer processo criativo. A primeira versão raramente – para não dizer nunca – é a melhor versão. Escreva e reescreva. Depois reescreva de novo. E de novo. E de novo até... quando? Até que esteja bom? Até que não possa ficar melhor? Como todo o resto, só cabe a você decidir, mas uma coisa é certa: escreva e reescreva.

 
 
 

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